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09 de Setembro de 2010 - 08:31
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Da mesa para o carro: Garrafas pet deixam de ser vilãs e já estão no carpete dos automóveis

04.06.2009
Automáximo
Consideradas inimigas do meio ambiente, as garrafas do tipo PET (polietileno tereftalato) estão aos poucos deixando a condição de vilãs. A reciclagem avança amparada pela criatividade e tecnologia, permitindo que o produto seja útil até mesmo na fabricação dos automóveis.

"A garrafa nos fornece o poliéster, um polímero com o qual é feito o carpete que reveste o assoalho dos veículos. Nós utilizamos este material em todos os automóveis feitos no Brasil", explica o engenheiro Vicente Moura, Chefe de Engenharia de Produto da Renault do Brasil. A matéria-prima obtida das garrafas PET não é usada apenas no assoalho, mas no forro do porta-malas e no tampão que separa o compartimento de bagagem da cabine (nos modelos hatch).

Com este aproveitamento racional, milhões de toneladas de plástico já deixaram de poluir a natureza. Basta fazer as contas: para se obter 1kg de fibra reciclada, são usadas 22 PETs. O carpete que forra o Sandero, por exemplo, pesa de 2,5kg a 2,7 kg. "Portanto, em um automóvel de porte médio são necessárias pouco mais de 60 garrafas de 2 litros", acrescenta Vicente, que aposta ser possível num futuro próximo usar o material em outras partes do veículo, como forro das portas e do teto. "Pesquisas nesse sentido já estão sendo feitas e acredito que será possível a aplicação do material em outros componentes”, acrescenta.

Os benefícios da reciclagem das garrafas PET, todavia, não se refletem apenas no meio ambiente, mas na economia, uma vez que existe uma cadeia produtiva na reciclagem que vai do catador de garrafas (muitos deles vinculados a cooperativas) a empresas que cortam, picam, processam e transformam a matéria-prima até que ela chegue à fábrica. É a indústria da reciclagem gerando renda e emprego.

Testes feitos pela Renault do Brasil atestam a eficiência e a qualidade do material. Para que o carpete seja instalado nos carros, são feitas avaliações rigorosas, que incluem testes de calor, umidade, desgaste e até inspeção visual. Uma das provas, por exemplo, simula o atrito da sola de sapato diretamente no carpete, para ver se não há desgaste prematuro da peça. Há ainda avaliação que a submete durante horas a temperaturas superiores a 90ºC. "Como de hábito na indústria automobilística, os testes são severos e sempre vão muito além das condições normais de uso do componente sob avaliação", explica o engenheiro.

O preferido para embalagens

O PET é um plástico de alta resistência mecânica e química. Constitui-se numa excelente barreira para propagação de gases e odores, daí ser usado em larga escala para embalagens, de refrigerante a remédios.

O consumo não para de aumentar. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), em 2007, foram consumidas no Brasil 432 mil toneladas do material. No ano anterior, haviam sido 378 mil. Só que a reciclagem ainda não cresce no mesmo ritmo. O índice de material reciclado em 2006 foi de 51,3%. Em 2007, passou a 53,5%.

Veículos terão índice de 95% de reaproveitamento

O uso do PET é apenas um exemplo do que a criatividade e a tecnologia são capazes. Graças a essa combinação, a Renault conseguiu estabelecer uma meta ambiciosa, impensável em outras épocas: produzir um veículo com 95% de suas peças passíveis de recuperação. Todas as empresas do Grupo Renault no mundo inteiro já trabalham para o alcance dessa marca em 2015. Atualmente, o índice de aproveitamento - que inclui reciclagem e valorização (reaproveitamento do material em uma outra função) - já supera 91% nos produtos fabricados pela Renault do Brasil.

A tarefa de encontrar novos materiais e ampliar o índice de aproveitamento dos carros fica a cargo do Laboratório de Engenharia de Materiais. A área também é responsável pelo monitoramento ambiental dentro do Complexo Industrial em São José dos Pinhais e pela fiscalização, em conjunto com os setores de Segurança e Medicina do Trabalho, dos produtos químicos usados nas fábricas. Uma das principais missões do Laboratório de Materiais da Renault é eliminar a utilização de metais pesados como o chumbo, cádmio e mercúrio. Até os fornecedores são avaliados. Caso algum componente adquirido pela fábrica apresente substâncias de uso restrito ou proibido, existe uma diretiva para que seja providenciada a troca.

"Uma de nossas responsabilidades é assegurar, por exemplo, a isenção de Cromo Hexavalente, o chamado Cromo VI, no desenvolvimento de uma nova peça com proteções metálicas. Podemos assegurar que 100% das mesmas respeitem a preconização de supressão dessa substância", explica o engenheiro de materiais Adriano Kantoviscki, chefe do Laboratório de Engenharia de Materiais da Renault do Brasil. O cromo VI é largamente empregado nas indústrias, especialmente em tratamentos de superfície e no revestimento de peças.


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